Brasil

CUT lança “Plataforma para as Eleições 2026” com prioridades da classe trabalhadora

Documento é guia para eleitores avaliarem candidatos e candidatas que estejam comprometidos com os interesses da classe trabalhadora

Faltam cerca de dois meses para as eleições de 2026, um momento decisivo para os rumos do país e, especialmente, para a classe trabalhadora. A representação política influencia diretamente temas como emprego, salários, direitos trabalhistas e desenvolvimento. Por isso, conhecer as propostas das candidaturas é parte essencial do processo eleitoral.

Com esse objetivo, a CUT lançou, nesta quarta-feira (5), durante plenária virtual com sindicalistas de todo o país, a Plataforma da CUT para as Eleições 2026, documento que reúne as principais reivindicações da entidade para a classe trabalhadora.

Mais do que reafirmar bandeiras históricas da Central, a plataforma serve como referência no debate eleitoral. De um lado, oferece informações para que trabalhadores e trabalhadoras avaliem melhor as propostas apresentadas. De outro, convida candidaturas aos cargos proporcionais e majoritários a assumirem compromisso público com pautas ligadas ao emprego, aos direitos sociais, à democracia e ao desenvolvimento nacional.

Na abertura da atividade, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, destacou que discutir eleições faz parte da concepção sindical da entidade desde sua fundação. Segundo ele, a luta por melhores salários e condições de trabalho não pode estar separada da luta política e do projeto de país desejado. Também afirmou que saúde, educação, emprego, democracia e soberania são temas fundamentais para a Central.

A plataforma foi construída com base nas resoluções aprovadas pela CUT e organiza as reivindicações em quatro grandes eixos, com 16 pontos prioritários, voltados ao fortalecimento do emprego, ampliação de direitos, redução das desigualdades e promoção do desenvolvimento com distribuição de renda.

A proposta não substitui os programas dos partidos nem orienta voto em candidaturas específicas. Seu objetivo é oferecer um parâmetro para que o eleitorado conheça as pautas consideradas essenciais pela CUT e identifique quais candidaturas demonstram compromisso com elas. Ao mesmo tempo, funciona como um compromisso público a ser assumido por parlamentares e futuros governantes.

A vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, afirmou que a plataforma sintetiza debates acumulados pela Central ao longo dos últimos anos e reúne reivindicações inegociáveis para os trabalhadores. Segundo ela, democracia, soberania nacional e desenvolvimento econômico caminham juntos quando o objetivo é ampliar direitos. Também ressaltou que sem democracia não há sindicatos fortes.

Plataforma: propostas construídas a partir da realidade do trabalho

Entre as prioridades defendidas pela CUT estão temas históricos da entidade, como a redução da jornada sem redução salarial, a valorização do salário mínimo, o fortalecimento da negociação coletiva e dos sindicatos, a regulamentação do trabalho por aplicativos e a revisão de pontos das reformas trabalhista e previdenciária.

Eixo I – Prioridades estratégicas

  • Nova regulação sindical: legislação que fortaleça a organização sindical, garanta autorregulação, autonomia das assembleias, financiamento solidário e direito de greve.
  • Fim da escala 6×1 e redução da jornada: redução imediata para 40 horas semanais, com perspectiva de chegar a 36 horas, sem redução salarial.
  • Valorização do salário mínimo e das aposentadorias: manutenção da política de valorização real do salário mínimo e dos benefícios previdenciários, incluindo o BPC.
  • Direitos para trabalhadores de aplicativos: regulamentação com remuneração digna, proteção previdenciária, limite de jornada, direito de defesa e liberdade sindical.
  • Transição justa e requalificação profissional: políticas para formação permanente diante dos impactos da inteligência artificial e da automação.
  • Tarifa Zero no transporte público: defesa do transporte coletivo como direito social e instrumento de acesso ao trabalho, educação, saúde e lazer.

Eixo II – Democracia e desenvolvimento

  • Justiça tributária: atualização anual da tabela do Imposto de Renda e tributação de grandes fortunas, lucros e dividendos.
  • Segurança cidadã e direitos humanos: políticas de prevenção e combate à violência, incluindo feminicídio, racismo e ataques à população LGBTQIA+, com fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
  • Meio ambiente e transição ecológica: enfrentamento da crise climática com preservação dos recursos naturais e uso das riquezas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
  • Combate às bets: enfrentamento à exploração financeira das apostas virtuais, com proibição de publicidade predatória e restrição ao uso de crédito e benefícios sociais.

Eixo III – Direitos sociais e trabalhistas

  • Revisão das reformas trabalhista e previdenciária: recuperação de direitos retirados e fortalecimento das negociações coletivas.
  • Negociação coletiva no setor público: regulamentação da Convenção 151 da OIT, com negociação permanente, data-base e direito de greve.
  • Fortalecimento do PAT: preservação do Programa de Alimentação do Trabalhador como política de segurança alimentar.
  • Ratificação da Convenção 156 da OIT: medidas para conciliar trabalho e responsabilidades familiares, como ampliação de creches e flexibilidade para cuidadores.
  • Cumprimento dos pisos salariais nacionais: garantia dos pisos da enfermagem e do magistério, independentemente do vínculo de contratação.
  • Ratificação da Convenção 193 da OIT e regulação do trabalho por plataformas: criação de marco regulatório que combata a superexploração e garanta direitos, previdência e organização sindical.

Eixo IV – Soberania nacional e relações internacionais

  • Defesa da soberania nacional, dos serviços públicos e das estatais: preservação do controle público sobre empresas estratégicas, riquezas naturais e tecnologias, com foco em empregos e redução das desigualdades.
  • Reindustrialização nacional: uso do poder de compra do Estado e das empresas públicas para fortalecer a indústria brasileira e ampliar o desenvolvimento tecnológico.
  • Defesa do multilateralismo e da paz: valorização da cooperação internacional, do Mercosul, dos Brics e da autodeterminação dos povos.

Debate para além das eleições

Ao apresentar a plataforma ao Portal CUT, Juvandia explicou que o documento foi pensado para continuar sendo utilizado após a campanha eleitoral, como instrumento de debate nos estados e de diálogo com candidaturas. Segundo ela, ampliar a representação de parlamentares comprometidos com essas propostas pode facilitar o avanço de projetos históricos do movimento sindical, como a redução da jornada e o fim da escala 6×1.

Durante a plenária, o secretário-geral da CUT, Renato Zulatto, afirmou que a plataforma será encaminhada às CUTs estaduais, aos ramos, aos sindicatos e às candidaturas do campo sindical, servindo de apoio à narrativa dos candidatos e da militância. Também ressaltou que a vida da CUT está profundamente ligada à política brasileira.

O economista Sérgio Gabrielli afirmou que as propostas da CUT dialogam diretamente com os desafios do país e lembrou que as conquistas sociais sempre resultaram da luta dos trabalhadores. Já o ex-ministro Gilberto Carvalho destacou a importância da iniciativa e afirmou que a eleição não trata apenas da escolha de representantes, mas da definição de um projeto para o Brasil.

A CUT espera que a plataforma siga como referência mesmo após as eleições, funcionando como instrumento de diálogo com parlamentares e futuros governantes, permitindo acompanhar os compromissos assumidos e cobrar sua implementação ao longo dos mandatos.

Representação sindical no Parlamento

Na plenária, o secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, apresentou um levantamento preliminar sobre as candidaturas do campo sindical nas eleições deste ano. Segundo ele, foram identificadas 157 candidaturas ligadas ao movimento sindical informadas pelas CUTs estaduais. Desse total, 108 disputam vagas nas assembleias legislativas, 47 concorrem à Câmara dos Deputados e uma é candidata à suplência do Senado.

Ariovaldo destacou que o objetivo do levantamento é acompanhar a presença de dirigentes sindicais nas disputas eleitorais.


Redação STP Sorocaba e Região

O Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros de Sorocaba e Região é uma entidade combativa, filiada à CUT, que representa milhares de profissionais em cidades como Votorantim e Angatuba. Sob a liderança do presidente Marcão Papeleiro, atua firmemente na defesa de salários dignos, melhores condições de trabalho e na garantia de direitos históricos da categoria. Além da luta sindical, a instituição promove o bem-estar social e a saúde dos trabalhadores, consolidando-se como um pilar de resistência e apoio à família papeleira.
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