PAPELEIROS ENTRAM EM ESTADO DE GREVE DIANTE DA INTRANSIGÊNCIA PATRONAL
Após quatro rodadas de negociações, propostas das empresas são rejeitadas pelos sindicatos. Paralisações podem ocorrer a qualquer momento

A Campanha Salarial 2026 dos trabalhadores e trabalhadoras dos setores de papel e celulose e papel ondulado chegou a um momento decisivo. Após a quarta rodada de negociações, realizada nesta quarta-feira (28), a postura intransigente das empresas levou os sindicatos a decretarem estado de greve, diante de contrapropostas que não atendem às necessidades e reivindicações da categoria.
No setor de papel e celulose, as empresas apresentaram reajuste salarial de 4,29%, parcelado em duas vezes, sem ganho real. Para o piso salarial, a proposta prevê reajuste de 4,34%, também parcelado. O abono oferecido foi de R$ 3.350, além de cesta de R$ 580, auxílio para filhos com deficiência de R$ 2.544, auxílio-creche de R$ 955 e auxílio funeral de R$ 5.600.
Já no setor de papel ondulado, a contraproposta prevê reajuste de 4,29%, piso salarial de R$ 2.606,42, cesta de R$ 522 e abono de R$ 3.198 para empresas com até 300 funcionários e R$ 3.350 para aquelas com mais de 300 empregados. Também foram oferecidos auxílio para filhos com deficiência de R$ 1.988 e auxílio-creche de R$ 950.
As propostas foram rejeitadas na mesa de negociações. Para o movimento sindical, é inadmissível que empresas que acumulam resultados expressivos insistam em oferecer apenas a reposição da inflação, reajustes insuficientes nos benefícios e condições que desvalorizam a força de trabalho.
Diante desse cenário, o estado de greve coloca a categoria em alerta e abre a possibilidade de paralisações nas empresas a qualquer momento, conforme a mobilização e as deliberações dos trabalhadores.
O Sindicato dos Papeleiros reafirma que a categoria exige respeito, valorização salarial, aumento real, benefícios dignos e avanços nas cláusulas sociais, incluindo a luta pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais no setor de papel ondulado.
São os trabalhadores e as trabalhadoras que, diariamente, movimentam a produção e contribuem para os lucros das empresas. Nada mais justo do que receberem sua parte dessa riqueza por meio de salários dignos e melhores condições de trabalho.
As negociações da Campanha Salarial Unificada 2026 tem participação dos sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores – (CUT), entre eles os representantes dos papeleiros de Sorocaba, Votorantim, Angatuba e Região, Mogi das Cruzes, Piracicaba, Jundiaí e Limeira e a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Papel, Papelão e Artefatos dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A próxima rodada de negociações está marcada para 5 de novembro. Até lá, a mobilização será intensificada.
SEM RESPEITO E VALORIZAÇÃO, NÃO PODEMOS ACEITAR! SEGUIMOS FIRMES NO PROPÓSITO DE GARANTIR OS MERECIDOS BENEFÍCIOS DAS TRABALHADORAS E TRABALHA/DORES.
FOTO: Mobilização na Oben Group, unidade Votorantim, na manhã da quarta-feira (28/10), encabeçada pelo nosso sindicato para alertar os trabalhadores sobre as negociações da Campanha Salarial.