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Sindicato marca presença ativa em seminário sobre assédio, saúde, direitos e violência

A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros de Sorocaba e Região demonstrou, mais uma vez, seu profundo compromisso com a categoria ao participar ativamente de todas as atividades do Seminário “Trabalho Seguro, Vida Saudável”, realizado de 19 a 21 de maio em São Bernardo do Campo (SP), sob a organização do Instituto MPapel. Com debates profundos voltados à segurança, saúde e vida ativa para quem produz, nossa diretoria não apenas marcou presença física nos dias de evento, mas levou para o centro das discussões as dores, os desafios e os absurdos enfrentados diariamente nas indústrias do papel.

Primeiro dia: Saúde mental, desafios no SUS e a valorização da mulher

As atividades do dia 19 de maio começaram com uma forte imersão no painel “Institucionalidade e Saúde do Trabalhador”. A mesa debateu o tema “Saúde Mental e Trabalho no SUS: Desafios, Invisibilidades e Perspectivas para a Ação Sindical”, ministrado por Andreia de Conto Garbin (Professora Doutora da FSP/USP), juntamente com a palestra “Vigilância em Saúde do Trabalho e Saúde Mental: Estratégias de Prevenção e Promoção no Território”, apresentada por Eliane Pintor (Psicóloga e Interlocutora de Saúde do Trabalhador – SES/SP), sob a mediação de Eduardo Bonfim da Silva (Coordenador Técnico do DIESAT).

Logo após a palestra da Eliane Pintor, o presidente Marcão Papeleiro falou com a profissional, e no vídeo postado nas redes sociais do sindicato, abordou a situação da saúde dos trabalhadores, especialmente na Oben Group, empresa peruana que assumiu há pouco tempo a então Vitopel, e trouxe na nova gestão, uma forma de trabalho opressora e de retiradas de direitos, além de demissão.

No período da tarde, o foco se voltou totalmente para a “Valorização da Mulher Trabalhadora”. As palestrantes Luciana Pena Morgado (Socióloga e Doutora em Saúde Pública pela USP), que debateu “Trabalho, Gênero e Saúde”, e Ingrid Barbosa Betty (Psicóloga e Doutoranda pela UNICAMP), que apresentou o painel “Brigada de Saúde Mental: Prevenção, Acolhimento e Proteção”, conduziram reflexões profundas mediadas pelo médico José Carlos do Carmo (DVST/CEREST Estadual – SES/SP).

A violência de gênero, o assédio moral e o assédio sexual contra homens e mulheres foram pontos de ampla e necessária discussão. No evento, foi debatido o número absurdo de feminicídios no Brasil. O país registrou 1.568 casos de feminicídio em 2025, segundo o Retrato dos Feminicídios no Brasil do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um aumento de 4,7% em relação às 1.492 mortes de 2024. Para 2026, embora os dados consolidados do ano inteiro ainda estejam em processamento pela imprensa e órgãos de pesquisa, os casos continuam pipocando diariamente na imprensa, evidenciando que a luta das mulheres e o papel dos sindicatos no combate a essa violência dentro e fora das empresas são urgentes.

Perseguição digital e assédio: O clamor da base de Sorocaba, Votorantim e região

Foi nesses espaços de diálogo sobre organização do trabalho, adoecimento e papel do sindicato que a diretoria do sindicato de Sorocaba e Região interveio com firmeza. O presidente do sindicato, Marcão Papeleiro, trouxe um alerta grave e extremamente atual: a perseguição digital promovida por muitas empresas contra seus funcionários. Marcão expôs como as empresas têm monitorado as redes sociais e retaliado trabalhadores que simplesmente curtem ou comentam vídeos e postagens que expõem os problemas internos e a falta de condições nas fábricas.

Complementando a denúncia, o diretor Karioka usou a palavra para relatar a realidade geral da base. Ele destacou o volume constante de denúncias que a entidade recebe no cotidiano, mas chamou a atenção para um fator alarmante: o medo de aparecer. Devido ao clima de opressão, muitos trabalhadores sofrem calados por receio de sofrerem demissões ou perseguições severas.

Para exemplificar o nível desumano do assédio moral na base, Marcão citou um caso real levado ao sindicato há poucos meses, quando um trabalhador, ao procurar o setor de Recursos Humanos (RH) da empregadora para questionar dúvidas legítimas sobre o seu pagamento, foi recepcionado com gritos por um membro do referido setor e ouviu de forma humilhante que “não era homem”. O funcionário, completamente desestabilizado pelo abuso, chorou ao relatar a situação à entidade sindical. A diretoria reforçou que a saúde do trabalhador, inclusive a saúde mental, está gravemente prejudicada no cenário atual.

Segundo dia: Esporte, saúde e construção de propostas concretas

No dia 20 de maio, a programação abordou a temática “Esporte, Saúde e Atuação Sindical”. O painel matutino contou com a palestra sobre “Riscos Psicossociais, Prevenção e Promoção da Saúde”, ministrada pelo Auditor Fiscal do Trabalho Rodrigo Vaz, e “Atividade Física e Saúde do Trabalhador”, apresentada por Tatiana de Oliveira Sato (Docente de Fisioterapia da UFSCar), sob a mediação do educador físico e ergonomista Alessandro José Nunes da Silva.

A palestra “Riscos Psicossociais, Prevenção e Promoção da Saúde”, ministrada pelo Auditor Fiscal do Trabalho Rodrigo Vaz, de acordo com o presidente Marcão Papeleiro, “foi de extrema importância, pois retrata a realidade nos postos de trabalho, onde a categoria sofre com inúmeros “ataques”, refletindo em problemas psicológicos graves”. O conteúdo esclareceu as mudanças na NR-1 e o papel do sindicato na fiscalização dessa realidade atual.

A implementação das novas regras passa, obrigatoriamente, pela participação ativa dos trabalhadores e por uma forte mobilização de suas entidades representativas. A partir de formulários preenchidos pelos funcionários, as empresas são obrigadas a sistematizar, classificar e controlar formalmente os riscos psicossociais. Nesse cenário, os sindicatos assumem a missão essencial de acolher denúncias e garantir que os dados corporativos reflitam o dia a dia nos locais de trabalho. A auditoria do Ministério do Trabalho verificará a veracidade dessas informações patronais por meio de fiscalização direta e de uma escuta ativa constante. Esse acompanhamento rigoroso alinha-se ao fato de o combate ao assédio moral e sexual ser hoje prioridade tanto do MTb quanto do Ministério Público do Trabalho. Assim, a ação sindical torna-se o fator determinante para tirar a NR-1 do papel e garantir proteção real à saúde física e mental da categoria. ✊🏽

Na parte da tarde, o seminário avançou para a parte prática com o Painel Estratégico “Ação Sindical na Promoção da Saúde e Prevenção a Adoecimentos”, mediado pelo Márcio Cruz (Bob), dirigente do MPAPEL. Logo em seguida, um Workshop direcionado à identificação de desafios, troca de experiências e construção estratégica permitiu que os sindicatos presentes debatessem soluções reais.

Terceiro dia: Assédio e Práticas Antissindicais no Trabalho

No dia 21, quinta-feira, o desembargador Luís Henrique Rafael debateu o combate ao assédio moral e às práticas antissindicais. O magistrado criticou o abuso de poder empresarial, evidenciado no incentivo patronal à oposição a taxas de negociação coletiva. Frente a isso, a atuação e a fiscalização sindical foram apontadas como fundamentais para a defesa dos direitos e da dignidade da categoria. Destacou-se o papel da nova NR-1 no enfrentamento dos riscos psicossociais, incluindo abusos em sistemas de vigilância e assédio digital. O registro formal de denúncias nas atas da CIPA foi defendido como um instrumento essencial contra relatórios empresariais manipulados. Essa formalização fortalece a produção de provas, garantindo maior segurança aos trabalhadores e ampliando a capacidade de fiscalização, disse o desembargador.

Outras palestras relevantes fizeram parte de toda programação do 4º Encontro Nacional de Lideranças Papeleiras, organizado pelo Instituto MPapel, sob a responsabilidade direta do companheiro Márcio Bob, do qual o sindicato faz parte ativa, assim como outras entidades sindicais papeleiras.

O evento foi encerrado após um momento dedicado à síntese e encaminhamentos, onde foram consolidadas diretrizes sindicais, ações de promoção da saúde e propostas robustas para serem levadas às mesas de Negociação Coletiva com o patronal.

Compromisso renovado – A participação ativa e enérgica da diretoria do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Papeleiros de Sorocaba e Região nos três dias de seminário do Instituto MPapel deixa claro que a luta da categoria vai muito além das pautas econômicas. Discutir o combate ao assédio, barrar a perseguição digital, acolher a saúde mental e lutar pelo fim da violência contra as mulheres são pilares fundamentais para garantir dignidade a quem produz. A entidade segue firme, acolhendo denúncias e defendendo incansavelmente cada trabalhador e trabalhadora da base.

Firmes na luta por trabalho seguro e vida saudável!

Redação STP Sorocaba e Região

O Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros de Sorocaba e Região é uma entidade combativa, filiada à CUT, que representa milhares de profissionais em cidades como Votorantim e Angatuba. Sob a liderança do presidente Marcão Papeleiro, atua firmemente na defesa de salários dignos, melhores condições de trabalho e na garantia de direitos históricos da categoria. Além da luta sindical, a instituição promove o bem-estar social e a saúde dos trabalhadores, consolidando-se como um pilar de resistência e apoio à família papeleira.
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