
O Sindicato dos Papeleiros de Sorocaba e Região aproveita este 13 de maio para reafirmar que, para a classe trabalhadora e para a população preta, esta não é uma data de festa, mas de denúncia. Mais de 130 anos após a assinatura da Lei Áurea, a liberdade plena ainda é uma promessa não cumprida.
A história que nos contaram nos livros escolares muitas vezes apaga a resistência. A abolição não foi um “presente” da monarquia, mas o resultado de séculos de lutas, fugas e quilombos. No entanto, o “dia 14 de maio” revelou a face mais cruel do Estado brasileiro: uma população negra libertada sem acesso a terra, educação ou condições dignas de sobrevivência, sendo empurrada para a marginalidade enquanto o país incentivava a imigração europeia para substituí-la.
A desigualdade que bate no chão de fábrica – O racismo estrutural não ficou no passado, ele se organiza hoje através do mercado de trabalho. Como representantes da categoria, não podemos ignorar que o setor industrial e o de serviços ainda refletem o abismo social do Brasil:
- Salários desiguais: Pessoas negras recebem entre 34% e 42% menos que trabalhadores brancos na mesma média de funções.
- Barreira no topo: Embora sejam a maioria da força de trabalho, os negros ocupam apenas 8% dos cargos de liderança.
- Precarização: A população negra é a mais afetada por jornadas exaustivas e pela falta de proteção social.
Escravidão moderna – O que mais nos indigna é ver que, em pleno 2026, ainda combatemos o trabalho análogo à escravidão. Apesar do esforço contínuo do Governo Federal e das autoridades, os números são vergonhosos. A maioria das vítimas resgatadas nessas condições degradantes, seja na construção civil urbana ou no meio rural, é composta por pessoas pretas e pardas. Isso prova que a lógica da exploração colonial ainda tenta se infiltrar nas relações de trabalho modernas.
Diferente do 13 de maio, que marca uma liberdade jurídica sem cidadania, o sindicato se une ao movimento negro para exaltar o 20 de novembro, “Dia da Consciência Negra”. Esta sim é uma data de afirmação e planejamento de políticas de reparação racial e democracia.
Nossa luta é para que o ambiente de trabalho seja um espaço de igualdade real. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista e exigir que as empresas adotem ações afirmativas que corrijam essa dívida histórica.
Lutar contra o racismo é lutar pela dignidade de toda a classe trabalhadora!
* (Baseado em informações de indicadores sociais de 2025/2026 e nos marcos históricos da resistência negra).