Feminicídio no Brasil: A epidemia invisível que destrói famílias
O ano de 2025 fechou como o mais violento da história, registrando o recorde de 1.518 feminicídios.

O Brasil atravessa um momento crítico. Mesmo com a robustez da Lei Maria da Penha, os números recentes revelam uma realidade brutal: a violência contra a mulher não é apenas persistente, ela está em ascensão. O ano de 2025 fechou como o mais violento da história, registrando o recorde de 1.518 feminicídios. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia apenas por sua condição de gênero. Neste início de 2026, o cenário continua desolador. Somente no mês de janeiro, estados como o Rio Grande do Sul e Piauí já registraram dezenas de casos, mostrando que a barbárie não escolhe CEP nem classe social.
A raiz desse crime reside em uma mentalidade arcaica de posse. Muitos homens ainda enxergam a parceira como um objeto de sua propriedade. Quando a mulher exerce seu direito à liberdade e decide encerrar uma relação, a rejeição é respondida com violência letal. Um exemplo recente e chocante ocorreu na última sexta-feira: uma escrivã de polícia e professora de Direito foi assassinada a facadas por um aluno em plena sala de aula. O motivo, segundo o próprio agressor, foi o fim de um relacionamento de apenas três meses. Esse caso ilustra a frieza extrema e a banalidade do mal; a interrupção de uma vida brilhante por um “não” que o agressor se recusou a aceitar.
O rastro de destruição
O feminicídio é um crime que ecoa por gerações. Em 2025, estima-se que 2.000 crianças e adolescentes ficaram órfãos no Brasil. São jovens que perdem a mãe para a violência e, frequentemente, o pai para o sistema prisional. O trauma de presenciar tais atos deixa cicatrizes psicológicas profundas, criando uma legião de desamparados que o Estado ainda luta para acolher.
É vital que a sociedade e as vítimas não acreditem em mudanças repentinas ou arrependimentos momentâneos após episódios de violência. O ciclo de abuso é vicioso: após a agressão, vem o pedido de perdão, seguido por uma calmaria que precede um ataque ainda mais violento. Muitos agressores demonstram uma frieza assustadora e total ausência de culpa.
Para romper esse ciclo, as ferramentas de Estado são fundamentais:
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Boletim de Ocorrência e Medida Protetiva: Devem ser feitos ao primeiro sinal de ameaça.
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Casas abrigo: Essenciais para retirar a mulher do raio de alcance do agressor.
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Preparação institucional: É urgente que policiais e profissionais da saúde estejam prontos para acolher, e não julgar, a vítima que busca ajuda.
Um chamado do presidente Lula à ação
O presidente Lula reforçou recentemente a gravidade do tema, lançando uma campanha nacional que convoca os homens a atuarem diretamente contra esse crime. A mensagem é clara: o enfrentamento ao feminicídio não é apenas uma luta das mulheres, mas uma obrigação de todo homem que preza pela civilidade.
Não podemos aceitar que motivos banais continuem ceifando vidas. A luta pela vida das mulheres deve ser diária, vigilante e coletiva.
E nós? O que estamos fazendo para mudar essa triste estatística? Abrimos a discussão do tema entre familiares e amigos para dizer o quanto isso é inaceitável? Estamos conversando com nossos filhos sobre a importância do respeito ao outro? Estamos denunciado à polícia quando escutamos brigas e agressões na casa do vizinho?
“Enfim, todos nós temos o direito e o dever de “meter a colher”, sim, na briga de marido e mulher. Isso pode salvar vidas e impedir o aumento da violência contra a mulher no nosso país. É inaceitável essa situação. Se todos nós fizermos nossa parte, vamos contribuir para coibir a violência contra as mulheres no Brasil.” (Diretoria)