Mobilização na Oben Group: Sindicato denuncia “gestão do terror” e sucateamento da produção em Votorantim

Na manhã desta terça-feira (17), a diretoria do Sindicato dos Papeleiros de Sorocaba, Votorantim e Região realizou uma forte mobilização na porta da Oben, reunindo trabalhadores do turno das 6h e do setor administrativo. O ato, marcado por discursos enérgicos do presidente Marcão Papeleiro e do diretor Karioka, serviu para expor uma pauta crítica de 23 itens que detalham o ambiente de trabalho degradante imposto pela nova gestão da empresa, que assumiu o espólio da antiga Vitopel.
Durante a assembleia, o presidente Marcão fez a leitura detalhada dos problemas relatados pela própria categoria, destacando um cenário de grave pressão psicológica que tem resultado no afastamento sistemático de trabalhadores. Segundo o sindicato, o desrespeito atingiu níveis inaceitáveis, com relatos de representantes do setor de Recursos Humanos que chegam a “colocar o dedo na cara” dos funcionários e desafiá-los abertamente. Somam-se a isso denúncias de assédio moral e a imposição de uma burocracia excessiva que dificulta até mesmo a aquisição de medicamentos essenciais pelos colaboradores.
A preocupação dos trabalhadores, no entanto, ultrapassa as questões internas e atinge a linha de produção. O Sindicato alerta que o chamado “Padrão Oben” de qualidade está muito aquém do histórico de excelência construído desde a época da Votocel. De acordo com os relatos, máquinas operam com defeitos graves que a empresa se recusa a sanar. Para o Sindicato, é fundamental deixar claro ao mercado que a queda na qualidade não é culpa do trabalhador, mas sim da negligência da gestão. E essa preocupação é dos trabalhadores também, que se sentem prejudicados em produzir um produto que possa não atender o cliente da empresa, como era antes, desde à época da Votocel, passando pela Vitopel.
Diante desse cenário, Marcão Papeleiro anunciou que a luta ganhará contornos internacionais. Através do SINAP, será estabelecido um intercâmbio com o Union Global (sindicato internacional) para denunciar a realidade da unidade brasileira em todos os países onde a Oben atua. O objetivo é criar uma rede de proteção aos trabalhadores e informar aos organismos internacionais e aos clientes da empresa, tanto do Brasil, como de países, sobre o declínio da qualidade dos produtos produzidos pela Oben Group, diante de uma gestão que beira a irresponsabilidade com o cliente.
O movimento também denunciou a postura da empresa, que colocou seu departamento Jurídico para impedir a atuação da entidade na defesa da categoria. “Não vamos aceitar qualquer tipo de pressão da empresa, e muito menos recuar. E é muito importante neste momento manter a união dos trabalhadores e do sindicato para fortalecer a luta para acabar com os abusos cometidos pela Oben. A atual gestão precisa entender que a credibilidade dessa fábrica foi construída pelo suor desses trabalhadores, e não aceitaremos que uma gestão despreparada destrua nossa saúde e nosso profissionalismo”, pontuou o presidente Marcão Papeleiro durante a mobilização.