A Lei Sansão e o espelho de Santa Catarina frente ao embrião do ódio na sociedade
Justiça pelo Orelha, por ele e por todos nós que ainda acreditamos na humanidade
O assassinato brutal do cão Orelha, em Santa Catarina, não foi apenas uma crueldade isolada, foi um ato de sadismo puro que escancara a falência moral de uma parcela da nossa juventude. De acordo com as denúncias, quatro adolescentes são suspeitos de torturarem e matarem um animal comunitário, um ser que oferecia confiança e recebeu em troca a pior face da perversidade humana. Não houve dó, não houve piedade, houve apenas o prazer nojento em causar dor a quem não podia se defender.
A Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que alterou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), estabelece que maltratar, ferir ou mutilar cães e gatos é crime punível com reclusão de dois a cinco anos. Embora as leis brasileiras impeçam que alguém seja rotulado como criminoso antes do trânsito em julgado e da condenação definitiva, a gravidade dos fatos narrados exige que a punição severa seja tratada como urgência social. Se esses adolescentes não forem responsabilizados sob o manto da “menoridade”, que tipo de seres humanos estamos permitindo que se tornem?
A ciência e a história já provaram: quem não respeita a vida animal, não respeita a vida humana. É um passo curto para que esse desprezo se transforme em violência contra mulheres, negros, idosos, a comunidade LGBTQIA+ e outras minorias. A falta de empatia com o sofrimento de um cão é o embrião de um cidadão intolerante, preconceituoso e perigoso.
Santa Catarina, estado que se orgulha de seus índices de desenvolvimento, precisa encarar seu próprio espelho e perguntar: por que tantas atrocidades e demonstrações de ódio têm brotado de seu solo recentemente? Onde a educação e o senso de comunidade falharam para permitir tamanha desumanidade?
QUAL O LIMITE DESTA SOCIEDADE? Se o Estado e as famílias não buscarem o rigor da lei para punir os culpados após o devido processo, estaremos declarando que a barbárie é aceitável. Justiça pelo Orelha, por ele e por todos nós que ainda acreditamos na humanidade.