O aumento da violência e a luta contra o feminicídio
"Meter a colher" salva vidas. Não se cale!

O Brasil enfrenta uma epidemia de violência contra a mulher, com o número de feminicídios atingindo patamares alarmantes. A cada dia, em média, quatro mulheres são vítimas de feminicídio no país. Em 2024, foram registrados cerca de 1.492 feminicídios, o que representa um dos maiores índices desde a tipificação do crime em 2015. Os números de violência de gênero, incluindo tentativas de feminicídio e agressões, continuam em alta, evidenciando que a sociedade brasileira falha em proteger suas mulheres.
Causas e motivações dos crimes
O feminicídio, o assassinato de uma mulher pela sua condição de ser mulher, está profundamente enraizado no machismo estrutural e na cultura patriarcal da sociedade brasileira. As principais motivações que levam a esses crimes são:
Inconformismo com a separação: É a principal razão. O agressor não aceita o fim do relacionamento e tenta exercer um sentimento de posse e controle sobre a vítima.
Ciúmes, posse e machismo: A crença de que a mulher é uma propriedade do homem, o que justifica a violência quando ela demonstra autonomia ou questiona o relacionamento.
Violência doméstica e familiar: A escalada da violência dentro de casa, muitas vezes ignorada ou minimizada, culmina na morte.
Os agressores são, em sua maioria, companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
O caminho para a redução da violência
Para combater essa tragédia, é essencial uma abordagem multifatorial que envolva toda a sociedade:
Educação para a equidade de gênero: Mudar a cultura machista desde a infância, promovendo novas masculinidades que não se baseiam em agressividade e domínio.
Fortalecimento das redes de apoio: Aprimorar e garantir a eficácia de delegacias especializadas, Centros de Referência (CRAMs) e, principalmente, das Medidas Protetivas de Urgência.
Punição eficaz: Assegurar que os agressores sejam punidos de forma rigorosa e que a lei seja aplicada com a perspectiva de gênero. Claro, que para isso, as leis precisam ser aprimoradas, pois como estão, ainda não resolvem.
O apelo do presidente Lula
Recentemente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto, chamando os homens a serem protagonistas na luta contra a violência. Ele destacou que a mudança só será completa quando os homens assumirem a responsabilidade e se engajarem ativamente na defesa das mulheres.
Nesse contexto, o presidente fez menção a um ensinamento de sua mãe, a Dona Lindu, que o aconselhou: “É melhor largar a mulher do que bater nela. Nunca levante a mão para uma mulher”. Essa simples, mas poderosa lição, resume a atitude que deve ser adotada: a violência jamais é uma opção. O respeito e o desapego à posse devem prevalecer sobre a agressão.
É preciso meter a colher
Existe um antigo ditado que diz: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.” No contexto da violência de gênero, essa máxima é perigosa e obsoleta. É preciso, sim, meter a colher quando se testemunha uma violência acontecendo. O silêncio e a omissão são cúmplices da agressão. Intervir não significa entrar em confronto direto e arriscar-se, mas sim romper o ciclo da violência e garantir que as autoridades sejam acionadas.
A diretoria do sindicato, que tem acompanhado os números pela mídia, manifesta-se preocupada com os casos de violência contra as mulheres, e faz um alerta à categoria, para que se mantenha atenta à situação, e denuncie qualquer caso de violência aos órgãos competentes, pois o Brasil precisa acabar com essa “cultura” de posse e agressão às mulheres.
Como intervir de forma segura:
Acione a polícia imediatamente: Ligue para o 190 e forneça a localização exata e a descrição da situação. Não é necessário se identificar.
Chame a atenção: Se for seguro, faça barulho, toque a campainha, grite algo como “A polícia está chegando!” ou “Estou ligando para a polícia!”. Isso pode assustar o agressor e interromper a violência.
Ofereça ajuda posterior: Se a situação se acalmar e for seguro, procure a vítima e ofereça seu telefone para que ela ligue para o 180 ou para um familiar.
A solidariedade é a única forma de garantir que as mulheres não estejam sozinhas. A violência é um problema social e não um assunto privado.
Canais de denúncia
Denunciar é o primeiro passo para salvar uma vida. É importante ressaltar que as denúncias podem ser feitas de forma anônima e são gratuitas. Os principais canais são:
Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): Oferece escuta e acolhimento qualificado. É o principal canal para registrar denúncias de violência, tirar dúvidas sobre a Lei Maria da Penha e obter informações sobre os serviços da rede de atendimento.
Ligue 190 (Polícia Militar): Em casos de emergência e flagrante de violência (quando a agressão está ocorrendo), este é o canal imediato.
Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Recebe denúncias de violações de direitos humanos em geral, incluindo as que afetam mulheres.
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs): Onde a vítima (ou qualquer pessoa) pode registrar o Boletim de Ocorrência e solicitar as Medidas Protetivas de Urgência.
Aplicativo Direitos Humanos Brasil e o site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.