STP mobiliza trabalhadores na Klabin e denuncia impasse no pagamento do PPR

Na manhã desta quarta-feira (24), o Sindicato dos Trabalhadores Papeleiros (STP) de Sorocaba e Região mobilizou a categoria na Klabin Angatuba para manifestar a crescente insatisfação com a postura da empresa sobre as negociações do Programa de Participação nos Resultados (PPR), foco principal da manifestação. Os trabalhadores foram abordados assim que chegaram, ainda nos ônibus, no acesso à portaria da fábrica.
O presidente Marcão Papeleiro criticou de forma contundente a atitude da empresa, que, segundo ele, tem protelado as negociações. A Klabin já teria mudado as datas de comparecimento ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas, por duas vezes, e na terceira, o tribunal recusou o pedido de adiamento. Para Marcão, essa atitude demonstra “desrespeito e descaso com a categoria”. Ele desmentiu a alegação da empresa de que o movimento sindical teria abandonado a mesa de negociação: “Não saímos da mesa de negociação por nada, nós saímos porque eles não têm uma proposta digna”.
Marcão também desabafou sobre a situação de pais de crianças com deficiência que trabalham na Klabin. Ele, que é avô de uma criança autista, disse que fica indignado ao saber que esses trabalhadores, ao se ausentarem para acompanhar consultas médicas, são tratados com desconfiança, como se os atestados fossem entregues sem necessidade. “É revoltante isso”, desabafou.
O diretor Carlos Eduardo, funcionário da Klabin, corroborou a insatisfação da categoria e desmentiu a informação de que o valor do PPR, se pago em parcela única, poderia chegar a “três folhas”, classificando-a como uma tentativa de manipulação. Segundo ele, o valor muitas vezes não chega nem a duas folhas.
O diretor Karioka fez um discurso acalorado e citou relatos de sindicatos de outras cidades, afirmando que a Klabin e a Suzano são as piores empresas do setor para se trabalhar. Ele enfatizou que os trabalhadores não devem ser tratados “no chicote, na pressão”, e reafirmou o compromisso do sindicato em defender a categoria. Karioka também informou que a campanha salarial dos trabalhadores papeleiros terá início nesta quinta-feira (25) em São Paulo, na sede da federação. Na ocasião, os sindicatos irão formular a pauta para negociar as cláusulas econômicas, já que as sociais estão garantidas por dois anos por sugestão do STP no ano passado.
A diretoria do sindicato, composta por Marcão Papeleiro, Karioka, Marcelo Guedes, Paulinho, Carlos Eduardo e Nilton “Lobinho”, aproveitou a oportunidade para parabenizar a categoria pelo “Dia dos Papeleiros e Papeleiras”, comemorado no dia 20 de setembro, e reafirmou o compromisso com a defesa dos trabalhadores, prometendo continuar a luta por uma solução para o caso do PPR. “Não pense a Klabin e os negociadores que vamos sair da porta da fábrica, está apenas começando”, disse Marcão.