Klabin Angatuba não apresenta nenhuma proposta para pagamento do PPR e sindicato mantém estado de greve
A empresa tem desrespeitado a categoria e os problemas estão desmotivando as trabalhadoras e trabalhadores

Na última terça-feira (9/9), na Klabin Angatuba, após cancelar a reunião duas vezes, os representantes da empresa receberam a diretoria do STP Sorocaba e Região para tratar de várias demandas, a pedido do sindicato. A principal era definir a forma de pagamento do PPR das trabalhadoras e trabalhadores, após plebiscito realizado pelo sindicato há quase dois meses, no qual a categoria manifestou voto favorável a receber o benefício em duas parcelas, preservando os valores a serem recebidos.
A empresa, porém, continua tratando a questão com descaso, sem valorizar a escolha do trabalhador. Vamos aos fatos da reunião: a diretoria do sindicato e a comissão de negociação estavam dispostos a ouvir a empresa e negociar. Em momento algum abandonaram o diálogo, afinal, era para isso que estavam lá. Contudo, o gerente e outros membros da empresa permaneceram irredutíveis, sem apresentar proposta, reiterando que o PPR será pago em parcela única, em março, seguindo decisão unilateral da Klabin, sem respeitar as trabalhadoras e trabalhadores.
Segundo Carlos Eduardo, diretor do sindicato e funcionário da Klabin, “antes o PPR era fechado até o mês de junho para que o funcionário recebesse no dia 31 de agosto. Agora, a empresa mudou tudo, sem sentar para decidir em conjunto com o sindicato e trabalhadores.”
De acordo com a diretoria do STP, é lamentável constatar que a equipe de negociação da empresa está engessada, e mais, tentando manipular a opinião dos trabalhadores, dizendo que se esperar a parcela única, o valor poderá aumentar, chegando até três folhas. “Isso é uma tentativa de manipular a categoria, que precisa do benefício”, disse o presidente do sindicato, Marcão Papeleiro.
Na Klabin, a insegurança no ambiente de trabalho é rotina. Um exemplo alarmante foi a queda do telhado de madeira sobre uma máquina, ocorrida pouco tempo depois de uma ampla reforma e da apresentação de um laudo que atestava não haver perigo de desabamento. Outro fato foi o rompimento da parede de concreto de uma caixa d’água que alimenta a produção da fábrica. Com isso, as máquinas ficaram sem água por vários dias, prejudicando a produção – até a instalação de uma nova caixa d’água de inox, mesmo com laudo garantindo que nada aconteceria. Agora, um cilindro que passou por solda também conta com a garantia da empresa de que não terá novos problemas. Em todas as situações, foram produzidos laudos técnicos de segurança. “MAS O SINDICATO ESTÁ PREOCUPADO, POIS SE NOS DOIS PRIMEIROS CASOS ACONTECERAM PROBLEMAS POSTERIORES MESMO COM LAUDOS, DÁ PARA CONFIAR NO LAUDO DO CILINDRO?, questiona Marcão.
Para a diretoria do sindicato, “é fácil notar que a categoria está correndo risco no ambiente de trabalho. Inclusive, atualmente tem um cilindro que passou por solda, e que segundo a empresa não apresenta risco, mas diante do exposto anteriormente, é possível confiar? Vale lembrar que essa falta de gestão pode prejudicar o valor do PPR dos trabalhadores. Está claro também que a Klabin está desrespeitando a cláusula do acordo que determina rever questões que interferem no ambiente de trabalho, na produção, e que possam prejudicar o ganho do PPR”, declarou Marcão.
“A situação é realmente complicada, pois além do gerente, seus coordenadores, maioria inexperientes e abusivos fazem tudo o que o “Manda-Chuva” quer, prejudicando o trabalhador. Tanto que não suportando mais a situação, funcionários estão pedindo ajuda ao sindicato para a troca do atual gerente. Antes, havia gestores com credibilidade, hoje não há”, diz Karioka, diretor do sindicato.
“E tem mais, a desconfiança com os trabalhadores e trabalhadoras, pais de crianças com deficiência, que precisam se ausentar para acompanhar consultas tem causado insatisfação, e com razão. Existem relatos de questionamentos da gerência sobre a necessidade da saída e dos atestados médicos. O sindicato recomenda então à empresa, contratar uma assistente social para visitar a casa do trabalhador e confirmar a situação. Não é aceitável humilhar o trabalhador quando apresenta o atestado”, desabafa Marcão.
O STP tem ciência ainda de uma falta de transparência persistente por parte da empresa quanto ao espelho de ponto, que é bastante confuso, assim como os holerites. “Aliás, os trabalhadores querem que o relógio de ponto volte a ser na portaria, pois de acordo com a categoria é mais acessível e mais fácil para acompanhar as horas extras, diz o diretor Carlos Eduardo.
“Para completar, quando os funcionários procuram o setor de Recursos Humanos (R.H.) para esclarecimentos, muitas vezes são coagidos e tratados com desdém. No entanto, hoje, quem está no R.H. esqueceu que veio do chão de fábrica e contou com o apoio dos colegas para chegar lá. Pedir aos trabalhadores que liguem no 0800 da empresa para solucionar dúvidas, sendo que está ali para isso, é desumano”, afirmou Marcão.
A desmotivação dos funcionários na empresa é evidente, tanto que trabalhadoras e trabalhadores já pediram a dispensa da empresa, incluindo um deles com mais de 28 anos de empresa. Descontentamentos resultam também de cortes de benefícios promovidos pelo atual gerente para parecer eficiente. Entre eles estão a festa de fim de ano com família, o fim do uso do clube, a premiação do PUR que deixou de ser paga para muitos funcionários, e demais prêmios por metas foram todos cortados.
O presidente do sindicato aproveita ainda e faz um questionamento reflexivo aos trabalhadores: “Vocês acreditam que a empresa valoriza cada um, diante de tudo o que vem ocorrendo? Não acreditem, só querem usar cada um de vocês.”
“O pior, é que o descaso não acontece apenas na Klabin Angatuba, mas também em unidades de outras cidades paulistas onde o STP tem conhecimento”, afirmou Karioka.
“Peço aos trabalhadores e trabalhadoras que não se deixem enganar pela empresa, mantenham-se mobilizados, pois o sindicato continuará lutando para resolver as questões que prejudicam a categoria e, em breve, estará na porta da empresa para paralisar os trabalhos, já que mantém estado de greve”, finalizou Marcão.
Redação STP
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